Baby steps baby, baby steps.


A verdade é que quanto mais andamos no escuro, mais nossos olhos vão se acostumando com a falta de luz com o tempo. E, depois de mais um tempo, vamos nos familiarizando com as sombras.

E já estamos há certo tempo rodando perdidos em círculos pelos mesmos escombros.

As sombras e o desconhecido ainda nos deixam acuados, mas não assustam tanto como antes.

Em alguns momentos, nos pegamos até mesmo questionando uma mancha em particular na escuridão: será que é isso mesmo que estou pensando? Quem sabe? Melhor se aproximar só mais um pouquinho para ver.

Talvez, se tirar essa cortina sujo dê para ver melhor.

O que antes não tinha nem chance de ser analizado, agora passa a ter uma forma bem suspeita e intrigante.

Os momentos de silêncios começam a ser gradativamente preenchidos por flashs rápidos de compreensões repentinas.

Talvez aquele trem de forma suspeita não seja bem isso em que estávamos pensando, afinal…

No auge do nosso isolamento sentimos que pensar demais e se preocupar tão fortemente com o futuro não faz o menor sentido já que estamos sentindo é agora.

Mais e mais a presença no presente parecem mais importantes.

Começamos a contar um dia de cada vez.

Devagar.

Vez ou outra uma onda de dor e revolta surgem para dar um oi, mas elas estão durando cada vez menos.

E seguimos esperando e clamando por auxílio. Nos forçamos a confiar. Queremos confiar. Queremos mesmo acreditar que vai passar. Que a compreensão vai chegar. É só isso que temos.

E um dia, ou uma madrugada insone,um pensamento diferente surge.

É mais como uma ideia. Ou uma voz interna que aconselha. Ou uma frase que surge na time-line, ou alguém que diz algo que faz uma ficha, ainda que pequena, cair.

É só uma lasca que se move diferente nesse turbilhão todo, mas que poderia eliminar pelo menos um pouquinho da angústia.

Porque não?

Por algum motivo, sentimos que precisamos fazer isso, ou pelo menos tentar. Que é o caminho certo. Pelo menos por enquanto.

E nos agarramos a esse fiozinho de esperança como se tudo dependesse disso.

E, só por ter vislumbrado essa possibilidade, um calor de esperança começa a surgir. É bom ter um pouco de ânimo renovado.

Um pouquinho de luz acabou de entrar afinal, senhoras e senhores!

E se essa entrou, deve ter mais de onde veio para entrar mais.

Já deu até uma ligeira vontade de sorrir um pouco.

E agradecidos pelo frescor novo, pequeno mas providencial, sentimos que até podemos sorrir um cadim, timidamente.


Claro que muita luz ainda precisa entrar. Que muitos cantos precisam ser iluminados e muitas raízes precisam ser expostas.

Ainda tem muita casa para ser reconstruida.

Mas o plano segue. Calma, espera e fé.

Confiemos que aos poucos a luz vai chegando.

Força!

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