Como tudo começou!

Este é o texto completo que escrevi para a @bitongatravel sobre como começou a meu rolê pela Bahia.
PRAINHA | ITACARÉ - BA
PRAINHA | ITACARÉ - BA

Meu nome é Karla Almeida, corresponde Bitonga Travel no sul da Bahia e gostaria de dividir minha história com vocês!
Oi meninas, como estão nesses tempos malucos?
Espero que bem, apesar dos processos que eu sei que cada uma está passando.
Penso que a quarentena trouxe questões de reflexão para todo mundo, mas acredito que para espíritos viajantes e livres que somos, esse momento trouxe também algo de medo, ansiedade, saudade e até mesmo um sentimento maior de privação de liberdade, não é mesmo?
Bom, pelo menos comigo estava sendo assim. Sobretudo porque a minha liberdade é, digamos, recém adquirida. Deixa eu contar!
Nasci em Belo Horizonte há 33 anos atrás e minha vida foi bem boa até a adolescência. Morava com minha mãe, irmão mais novo e pai louco.
Mas quando fiz 12 anos passei pelo que chamo de o primeiro divisor de águas da minha vida.
Sabem, aqueles momentos que mudam o curso da sua vida de vez?
Eu tinha uma vida tranquila e, de um dia para o outro, tudo mudou: meu pai nos ameaçou de morte,e tivemos de sair de casa com a roupa do corpo para morar de favor com uma tia.
Passamos por perregues e tivemos de começar a trabalhar muito cedo para ajudar a comprar a comida.
Então, desde então, minha vida era baseada nisso: trabalhar e se sobrasse tempo e dinheiro, tentar estudar.
Fui conseguindo estudar aos poucos, mas sempre pulava de trabalho em trabalho. Nunca estava feliz. Nunca achava que minha vida fazia sentido.
E, para ter forças de conseguir trabalhar, eu deixava esses sentimentos de lado.
A vida foi passando e mudando, mas os sentimentos ainda estavam lá mesmo quando consegui um bom emprego e agora a vida estava tranquila financeiramente para nós três.
Mas sempre fui amarga e triste.
Me sentia roubada e traída pela vida e pelo meu pai.
E acabei entrando em depressão quando estava com 25 anos.
Mas no meio disso tudo, tinha um sentimento: conhecer o mundo!
Eu sempre fui fascinada por mapas. Tinha coleções de globos, cartografías...e sonhava acordada pensando em conhecer todos os lugares do mapa, esses lugares com nomes lindos e diferentes.
Principalmente nos lugares próximos ao litoral.
Sou fascinada com o mar também.
Engracado que sempre me senti pertencente a algum lugar que tivesse praia. Sabem, essas sensações que a gente não sabe explicar?

CUMURUXATIBA | PRADO - BA

Fiquei depressiva até os 30 anos, e durante esse tempo, tentei me matar umas 2 vezes.
Um certo dia, indo pro trabalho, passei mal dentro do ônibus e desmaiei.
Acordei no hospital com o médico me examinando.
Foi uma maratona de hospitais que acabou com um psiquiatra me receitando remédio controlado.
Mas nesse ponto da vida, eu já estava cansada.
Cansada de tentar, cansada de trabalho infeliz, cansada apenas.
Simplesmente fui pra minha casa, tomei o remédio e dormi 3 dias seguidos.
Acordei me sentindo um lixo.
Mas um lixo decidido: ia pedir conta do trabalho e pensar no que fazer com o dinheiro do acerto.
Quando cheguei no trabalho, pronta pra pedir conta, descobri que eu ia ser demitida!
Vocês imaginam a felicidade que me invadiu?
Voltei correndo pra casa e comecei a fazer mil planos.
Mas os planos ainda eram sobre trabalho e como eu poderia fazer dinheiro. Ainda não estava feliz.
Ainda não tinha coragem pra tentar nada fora da minha bolha.
Fui passar uns dias na casa de uma amiga e numa noite, bebemos 3 garrafas de vinho.
Fui dormir bêbada e sonhei que estava andando de trem, com uma felicidade que eu nunca havia sentido antes.
E aí, hoje costumo dizer que foi o segundo momento de divisor de águas na minha vida: acordei, peguei o celular e comprei uma passagem só de ida no trem que liga Belo Horizonte ao Espírito Santo.
Era uma sexta feira.
A passagem era para segunda feira próxima.
Passei o final de semana organizando a mala, não contei para ninguém, nem pro meu namorado da época.
Todos só ficaram sabendo quando eu estava pedindo o Uber para a estação.
Naquele tempo, a minha ideia era ficar só um mês me divertindo na praia, sozinha, tomando minha cerveja, lendo meu livro e andando de bike.
Saí de Belo Horizonte em agosto de 2018 e estou com a mesma mala, sem voltar para minha cidade até hoje.
Claro que dentro desse período outros divisores de águas aconteceram, mas o mais importante foi a abertura da minha mente.

PRAIA DA BARRA | CARAÍVA - BA

Saí do ES depois de um mês e decidi que ao invés de voltar pra casa eu ia para a Arraial da Ajuda na Bahia e lá, com apenas 80 reais restantes do meu acerto, pois gastei igual uma louca no começo, decidi que eu não queria voltar.
Entendi que ali estava a chance de fazer o que eu sempre sonhei: viajar pelos lugares que estavam marcados nos meus mapas!
E que, se eu tive coragem de sair, eu também teria coragem de ficar. E tentar.
E assim fiz.
Foi perregue, loucura, medo. Mas acima de tudo, foi lindo e libertador.
Fiquei 2 meses em Arraial, depois 3 meses em Trancoso, daí fui morar em Caraíva, onde fiquei 1 ano, voltei para Trancoso, fui para Itacaré, fiquei 1 mês e agora estou em Trancoso de novo.
PRAIA DOS NATIVOS | TRANCOSO - BA


Fiz voluntariado em vários lugares, trabalhei como garçonete, atendente, free-lancer em festa, faxineira, vendedora, modelo, produtora de conteúdo, tudo o que rolasse para tirar uma grana.
Em Caraíva morei um ano, em casas que eu mesmo alugava, às vezes com a grana dos trabalhos.
Recentemente comecei a fazer artesanato e fiz uma linha de scrapbooks artesanais. Agora estou vendendo sanduíches caseiros por delivery em Trancoso.
E assim segue a vida.
Um dia de cada vez, sempre tentando.
Ainda não sei o que vai ser daqui pra frente, mas sei que o que vier, vai ser bem vindo! 
A pandemia nos pegou quando estávamos em Cumuruxatiba.
Então optamos por ficar aqui até tudo tranquilizar.
O sul da Bahia é lindo.
É a casa que eu não sabia que eu tinha.
O visual, o ar, as pessoas... Tudo aqui te leva a vivenciar momentos que trazem reflexão e auto conhecimento de modos que você se surpreende!
Este lugar exala uma energia incrível!
Eu não sei ainda como serão meus próximos passos.
Mas se eu sair daqui, a certeza de que eu volto é grande.




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